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Único reduto do PT em 2014 no estado, Hortolândia rejeita partido pela 1ª vez em 20 anos


Conhecida historicamente por ser um reduto petista em São Paulo, Hortolândia (SP) rejeitou o partido na escolha pra presidente e governador pela primeira vez em 20 anos.


De acordo com um levantamento feito pelo G1 com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desde 1998 um candidato do PT para os cargos máximos do Executivo nacional e do estadual não foi o mais bem votado no município. Em 2014, a cidade foi a única a derrotar Geraldo Alckmin (PSDB) no pleito para o governo do estado.


Nas eleições do último domingo (7), Jair Bolsonaro (PSL) venceu em Hortolândia com 54,49% dos votos, contra 23,23% de Fernando Haddad (PT). A última vez que um presidenciável não petista havia sido o mais votado no município foi justamente em 1998, com os 51,53% de Fernando Henrique Cardoso (FHC).


Depois, de 2002 a 2014, todos os concorrentes da legenda à Presidência saíram vitoriosos no município. Os segundos colocados foram, respectivamente, Garotinho, à época no PSB, Alckmin (PSDB), Marina Silva, à época no PV, e Aécio Neves (PSDB).Já na eleição para o governo do estado, a situação era ainda mais favorável ao Partido dos Trabalhadores. Desde 1998, o candidato mais votado na cidade era do partido.O único a fugir da escrita em 20 anos foi Luis Marinho (PT) em 2018, que teve 22,16% dos votos contra 26,16% de João Doria (PSDB). Todos os concorrentes da legenda que saíram vencedores em Hortolândia não conseguiram se eleger governadores.


Explicações


De acordo com o cientista político Daniel Marinho Silva, a redução de votos no município é um reflexo do enfraquecimento do PT no país, que agora começa a ser visto em locais conhecidos como berço da legenda, como a própria Hortolândia e o ABC Paulista.


O especialista ainda afirmou que a perda de votos nos redutos começou em 2016, quando o partido não conseguiu eleger prefeitos nestes municípios.


"O que aconteceu foi uma onda antipetismo que começou com o impeachment da Dilma e se completou em 2016 nos principais berços do partido. Em Hortolândia, o atual prefeito [Angelo Perugini] é do PDT, enquanto em São Bernardo do Campo, local de nascimento do PT, o chefe do Executivo é do PSDB [Orlando Morando]. Isso enfraquece as lideranças locais", disse.


Silva acredita que o enfraquecimento se deve muito mais à dificuldade do partido de ganhar a confiança dos eleitores do que da força das legendas de oposição ao PT.


"O PSDB sai muito enfraquecido dessas eleições também, mais até que o PT, por não ter conseguido ir ao segundo turno presidencial. Mas o PT também perde eleitores por conta da onda antipetismo e da vontade do eleitor em votar em candidatos antissistema, que ainda não tiveram cargos no Executivo", explicou.


G1 tentou falar com lideranças do PT em Hortolândia e com o diretório do partido do município, mas não conseguiu contato.(fonte site G1 Campinas)



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