Secretário de Saúde de Campinas lembra ‘desespero’ por leitos Covid, prevê agilizar logística de remédios e relata preocupação com dengue

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À frente da Saúde de Campinas (SP) no período mais crítico da pandemia da Covid-19, o secretário Lair Zambon é categórico ao lembrar marcantes desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2021: o desespero por leitos de UTI, a posição contrária ao “tratamento precoce”, composto por remédios ineficazes, e as medidas restritivas que evitaram cenário pior, mas desagradaram setores econômicos.

Em entrevista, o professor afastado da Unicamp para chefiar a pasta na prefeitura desde a nomeação pelo prefeito, Dário Saadi (Republicanos), alertou sobre a “imprevisibilidade” do novo coronavírus, e relatou preocupações com a dengue e aumento de demandas na área de pediatria.

Além disso, ele destacou uma proposta que prevê agilizar a distribuição de medicamentos na cidade, e admitiu “constrangimento” ao ser questionado sobre ter duplo salário – pagos pela administração e a universidade – contestados pelo Ministério Público Estadual (MP-SP). Veja abaixo principais trechos.

Pior momento da pandemia e esforços

Zambon destacou que a adoção de medidas restritivas e a requisição administrativa do Hospital Metropolitano – agora Mário Gatti-Amoreiras – diante do desespero por leitos de UTI Covid foram medidas “fundamentais” na crise. A cidade chegou a ter até 122 pacientes na fila de espera por este tipo de estrutura, em março, e a demanda foi maior do que a capacidade durante 45 dias seguidos.

“Tomamos medidas restritivas três semanas antes que o estado […] Foram fundamentais do ponto de vista de controle, da pandemia, da mortalidade”, afirmou o secretário. Zambon disse que em 2020 “havia certo glamour” quando todos tinham “respeito” diante da pandemia do novo coronavírus, mas outras dificuldades surgiram a partir do momento em que as pessoas “se cansaram” das limitações.

Ele salientou ainda que acompanhou de perto as lotações dos hospitais no momento mais crítico da crise sanitária na metrópole. “Em nenhum momento existiu o que todo mundo fez, de home office. Reuniões aqui e todo mundo trabalhou. Em relação a ficar perto de hospitais, lembro de fase muito difícil, fui sozinho no Mário Gatti, Dr. Sérgio Dias [profissional em atividade há mais tempo no hospital] estava lá, foi um domingo muito marcante, todo mundo desesperado por leito”, contou o secretário.

Ao ponderar sobre expectativas para 2022, Zambon afirmou que a imprevisibilidade é a marca da Covid-19 e que a metrópole terá de suprir novas demandas na área de recursos humanos.

“Eu imaginei que depois da segunda dose, quando a gente fala em imprevisibilidade, tem a terceira dose. Para ter uma ideia, Campinas tem uma necessidade de fazer mais de 500 mil doses de vacinação de doses de reforço. Isso é uma demanda de recursos humanos enorme, vamos ter ainda muitas dificuldades em 2022, em associar a vacinação e o atendimento nos centros de saúde”, falou.

Outras doenças

O secretário de Saúde em Campinas diz que neste momento já há “preocupação imensa” da prefeitura com o aumento de atendimentos na área de pediatria, além da dengue – doença que teve a 3ª maior epidemia da história na cidade em 2019. Ela foi superada apenas nos anos de 2014 e 2015.

“Vejo dificuldade na organização. Hoje, por exemplo, estamos com quadros respiratórios de crianças. Não Covid, mas vírus sincicial, influenza A, são outras preocupações que começam a aparecer fora da época. […] alguns indícios que a dengue começou […] se associar aparecimento de dengue, doenças respiratórias e vacinação, isso vai exigir muito do sistema de saúde”, alertou Zambon ao reivindicar que a população tome cuidados para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue.

Finanças e logística de medicamentos

Zambon disse que vai trabalhar perto da Secretaria de Finanças e do prefeito, ao tratar sobre o orçamento de R$ 1,33 bilhão para 2022, alta de 1,8% sobre o valor previsto neste ano. O montante não considera os R$ 392,1 milhões que são direcionados exclusivamente para a Rede Mário Gatti.

Sobre a cesta de medicamentos disponíveis na rede e o processo de distribuição, o titular da pasta enfatizou dificuldades atreladas a contratos e lembrou que o município recebeu a doação de R$ 1,2 milhão, por meio do Ministério Público, de farmacêutica que forneceu cinco medicamentos.

“Campinas gasta por volta de R$ 25 milhões ano com medicamentos e, para se ter uma ideia, hoje se consome 650 mil aspirinas infantil por mês. Campinas tem 155 medicamentos padronizados. Outros municípios, por volta de 80 e 90 […] Campinas coloca quase oito vezes a mais do valor necessário do ponto de vista da lei e centros de saúde recebem 2,4 milhões de receitas, média de duas por morador.”

O secretário de Saúde ressaltou que ainda que parte dos medicamentos também é disponibilizada aos moradores que acessam o sistema privado, para consultas, por exemplo, e falou em corrigir falhas.

“Primeiro, houve uma dificuldade das próprias empresas apresentarem propostas para medicamentos, e não apresentaram. Provavelmente são dificuldades delas em fornecerem. A segunda, nós tivemos problemas, estamos reestruturando toda a área da saúde, a diretoria da regulação, diretoria de administração, vamos fazer uma grande reforma. O almoxarifado nosso vai ser todo terceirizado, supermoderno, e a dispensação do medicamento será muito mais ágil que é hoje”, falou.

‘Duplo salário’ alvo do MP

Zambon demonstrou desconforto ao ser questionado sobre o fato do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investigar suposto acúmulo irregular de remunerações por ele e o secretário de Educação, José Tadeu Jorge. Ambos foram liberados das atividades de ensino quando assumiram os cargos no primeiro escalão do governo Dário Saadi (Republicanos), segundo a Unicamp, mas continuaram a receber remunerações da universidade estadual e, ao mesmo tempo, do Executivo.

“Eu fiquei sabendo desse assunto e fiquei muito constrangido. Eu me lembro quando fui convidado, houve um acerto entre a universidade, e ela tem por missão fornecer profissionais que se destacam para prestar serviço à sociedade, e a prefeitura. A partir daí conversei com Ministério Público, e espero que esse assunto se resolva em janeiro. Tenho as minhas decisões tomadas em relação ao assunto.”

Zambon reforçou que, mesmo à frente da Saúde de Campinas jamais “abandonou” a Unicamp e manteve atividades vinculadas à instituição de ensino, embora, segundo ele, em menor intensidade.

 

Fonte: G1


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