Celsinho desabafa após terceiro caso de racismo: “É muito desconfortante dar explicações para meus filhos”

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O meia Celsinho, do Londrina, desabafou após sofrer o terceiro caso de racismo durante a Série B do Brasileiro. No último sábado, o jogador relatou ter sido vítima de ofensas por um membro do staff do Brusque, em partida disputada em Santa Catarina.

Em vídeo enviado ao Globo Esporte Paraná, Celsinho agradeceu o apoio recebido de várias pessoas, destacou que o assunto “não pode ficar camuflado” e lembrou que “as pessoas criminosas têm que pagar por isso”.

É muito desconfortante em um curto prazo passar por uma situação três vezes, por três vezes ter que dar satisfações para minha família, meus filhos, minha esposa, amigos. Ter que responder o porquê meu cabelo incomoda tanto.— Celsinho, jogador do Londrina

Anteriormente, Celsinho já tinha sido alvo de falas racistas em jogos contra o Goiás e, uma semana depois, contra o Remo, ambos em julho. Nos dois casos, as ofensas partiram de profissionais de rádio durante as transmissões das partidas.

– É muito desconfortante porque a única coisa que faço é ir para o estádio, jogar futebol, fazer o que mais amo, que é a minha profissão, e ter que encontrar criminosos que acabam cometendo esses crimes em um espaço que eu sempre fui feliz. E as pessoas ainda acharem que isso é normal, me rotularem como se eu fosse um aproveitador de toda essa situação – completou.

O caso aconteceu no sábado. Celsinho chamou o quarto árbitro no intervalo da partida e apontou a pessoa que estava na arquibancada e que proferiu as ofensas racistas.

Na súmula do jogo, a arbitragem relatou que o jogador do Londrina “informou ao quarto árbitro que foi ofendido com as seguintes palavras: ‘vai cortar esse cabelo seu cachopa de abelha'”. Ainda segundo a súmula, a pessoa foi identificada como membro do staff do Brusque.

Resposta ao Brusque

Celsinho rebateu também uma nota emitida pelo Brusque no domingo, onde o clube catarinense negou qualquer ato de racismo e afirmou que o jogador fez falsa imputação de crime. Na segunda-feira, o clube catarinense emitiu uma nova nota, desta vez pedindo desculpas ao atleta e apontando a nota anterior como “momento infeliz”.

– Eles têm a consciência de que erraram muito em relação à primeira nota. Dizem que eu tenho três vezes esse caso, como se eu fosse para o estádio para que me ofendessem e me xingassem. Eles tiveram que soltar uma segunda nota com pedido de desculpa, mas isso não muda o constrangimento, a dor, a decepção que passei pelas palavras ditas naquele jogo. Isso é desconfortante, revoltante.

Medidas judiciais

Junto com o LondrinaCelsinho deve tomar medidas nas esferas criminal, cível e desportiva sobre o que ocorreu na partida contra o Brusque. A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) está analisando como será feita a denúncia sobre o caso.

– Com o clube e com meus advogados, vamos tomar todas as providências para que isso não fique impune – afirmou Celsinho.

Racismo na sociedade

Por fim, Celsinho opinou que os casos de racismo no futebol refletem o que ocorre na sociedade diariamente:

– A nossa sociedade está recheada desses criminosos. Como é um esporte passional e que mexe muito com a emoção, esses criminosos acabam se exaltando achando que é normal, que é justificável o que eles fazem, por sentir paixão ao clube, por ser um torcedor… Mas isso está dentro da pessoa.

A pessoa quando é racista, criminosa, preconceituosa, isso está dentro dela. Em um momento ou outro, ela acaba cometendo esses atos horríveis contra outra pessoa. Não vejo isso só no futebol, mas sim na sociedade por inteiro.— Celsinho, jogador do Londrina

Fonte: GE


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