“Loteria”, “histórico”… pilotos da F1 dão veredito sobre GP de Mônaco

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Amado por muitos, odiado por tantos outros, o GP de Mônaco não passa despercebido pelo público da Fórmula 1. Mas se não há unanimidade entre os fãs pela falta de ultrapassagens mesmo com a tradição, o luxo e os eventos especiais, a prova que retorna neste fim de semana é consenso entre os pilotos pelo nível de concentração exigido e a história do circuito de rua quase inalterado há 93 anos, desde 1929.

A temporada 2022 marca o último ano do atual contrato do GP monegasco com a F1, que a isenta de uma série de taxas – mesmo caso de Interlagos, palco do GP de São Paulo no Brasil. E assim como França, Bélgica e México, a corrida nas ruas do principado não está assegurada nos próximos anos.

CEO da F1, Stefano Domenicali adiantou em março deste ano que a categoria já trabalha na substituição ou renegociação das provas cujo vínculo terminam em 2022.

– Alguns dos GPs atuais não farão mais parte do calendário. Outros permanecerão, mas de forma diferente, como alternar entre diferentes pistas. A ofertas de novos promotores tem uma vantagem para a F1: forçar os GPs tradicionais a elevar seu nível de qualidade no oferecem ao público, na infraestrutura e gestão do evento. Não basta mais ter pedigree. Você também tem que demonstrar que está por dentro – disse.

Pesidente do Clube do Automóvel de Mônaco (ACM), Michel Boeri minimizou o risco da F1 deixar o país, notícia que se alinha com a opinião do atual campeão Max Verstappen. Na Emilia-Romagna, o holandês da RBR defendeu a prova que faturou em 2021.

– Não acho que você possa substituir Mônaco. Ela tem uma história grande e leva tempo para escrevê-la. Seria muito chato pilotar o tempo todo em lugares com a mesma cultura. Você tem que encontrar um equilíbrio entre esses tipos de eventos (como o GP de Miami), Mônaco e os circuitos permanentes – declarou.

Seu grande rival de 2021, Lewis Hamilton, ressoou o posicionamento favorável à prova ao comentar a questão na coletiva em Imola, no mês de abril:

– É uma das joias da coroa do nosso esporte. Não tenho certeza se seria ótimo perdê-lo. A parte difícil é que as corridas em si não são tão espetaculares, mas todo mundo que vai gosta. É uma localização privilegiada. Ajustar a pista não é fácil porque é o segundo menor país do mundo. Sim, não temos muito espaço lá. Mas é sobre esse status de ícone que ela tem, a história que é tão atraente para os pilotos e aqueles que estão assistindo.

Na ocasião, Hamilton detalhou sua visão sobre a corrida nas ruas do principado e destacou o fator psicológico em ação na disputa.

– Mentalmente e psicologicamente, é provavelmente a corrida mais desgastante. É tão estreito, tão rápido, tão apertado entre cada curva. Esta pista é literalmente, barreira, barreira, barreira. Quando venci aquela corrida com Max atrás de mim (em 2019), não consegui aproveitar o resto da noite. Tive que ir para casa e direto pra cama – relembrou o heptacampeão.

Nesta semana de preparativos para a corrida no “quintal” de sua casa, o piloto da Mercedes falou mais sobre o que torna o GP de Mônaco tão difícil:

– É uma pista onde há tantos elementos e tantas coisas precisam se alinhar para se vencer. É uma loteria. Você precisa ter sorte e precisa se posicionar bem em todas as partes; treinos, classificação, ajustes, juntando todas as peças do quebra-cabeça.

A nova gestão da F1, encabeçada por Domenicali, anunciou em 2021 que a partir deste ano, a etapa em Mônaco passaria a seguir o formato tradicional do restante dos GPs. Antes, o primeiro treino livre era na quinta-feira, destinando a sexta para eventos, desfiles de moda e outras programações especiais.

Ainda assim, certas tradições foram mantidas, como o jogo de futebol beneficente com pilotos e ex-pilotos e o príncipe Albert II de Mônaco.

– Existem circuitos centrais, como Mônaco. É um fim de semana especial. A corrida é em um dos circuitos mais difíceis de ultrapassar, então não tenho certeza se oferece a melhor experiência, mas o fim de semana e tudo o que acontece em Mônaco são especiais e únicos. Sou muito feliz por ter isso e gostaria que a próxima geração também experimente isso – opinou Daniel Ricciardo, da McLaren.

O maior vencedor de Mônaco é Ayrton Senna, com seis triunfos em 1987 e 1989, e de 1990 a 1993. Atrás do Rei de Mônaco vem Graham Hill e Michael Schumacher, ambos com cinco vitórias. E outro piloto da F1 atual a exaltar a história do circuito é o filho do heptacampeão, Mick Schumacher.

– (Mônaco) Faz parte da Fórmula 1 há tanto tempo e é um local histórico. Seria uma pena perder algo que está no esporte há tantos anos. Sempre foi um dos grandes eventos a se ganhar, é algo que alguns pilotos perseguem. Talvez não seja minha prioridade número um, mas alguns ainda podem querer isso – avaliou o piloto de 23 anos da Haas.

Adaptação de novo carro preocupa

Uma das razões para a corrida no principado ser menos agitada é o tamanho cada vez maior dos carros da F1 – razão pela qual a Fórmula E, com bólidos menores, não sofre em Mônaco. E com mudanças importantes no regulamento, como o novo carro (menos largo, porém pesado) e os pneus mais largos, alguns pilotos vem demonstrando preocupação desde a pré-temporada em março.

– Ganhamos um pouco de downforce (com o carro novo) e teremos muito disso em alta velocidade. Mas não há alta velocidade em Mônaco, então andar devagar será muito complicado. Você sente o peso do carro. É também um carro mais rígido. Então vai ser difícil – avaliou Charles Leclerc, único monegasco do grid.

Sebastian Vettel, que triunfou em Mônaco nos anos de 2011 e 2017, ironizou:

– Será melhor andar no ônibus turístico do que no simulador antes da corrida para se preparar. O carro é muito mais pesado. Mais inércia, mais massa. A condução terá que se adaptar.

Para Esteban Ocon, o GP monegasco se destaca pela sua peculiaridade. Mas o alargamento dos pneus, de 13 polegadas para 18 em 2022, pode ser um problema.

– Mônaco é extremamente especial, há uma história por trás e exige uma maneira de pilotar que você não encontra em nenhum outro lugar. Você tem que se classificar bem porque a corrida é muito difícil. Talvez a visão seja complicada porque os pneus são mais altos nas laterais. Chegar perto das barreiras será mais difícil. Mas quando nos acostumarmos com isso, vai ficar tudo bem – ponderou o francês da Alpine.

Logo após o GP da Espanha, vencido por Max Verstappen, Carlos Sainz foi questionado sobre o problema dos saltos dos novos carros da F1, o efeito porpoising. O espanhol da Ferrari fez um alerta sobre o impacto do problema na saúde física dos pilotos:

– Vai ser um grande desafio. Eu já achava que as zebras em Miami eram agressivas por si só nesses carros. Mônaco será difícil e tudo mais, mas estou pensando mais a longo prazo. Este ano estou com mais tensão em todo lugar. É algo que como pilotos não gostamos de falar muito por não gostarmos de soar, digamos, fracos. Mas a longo prazo, para o benefício de todos, talvez devêssemos conversar.

Fonte: GE

Foto: Sam Bagnall/Getty Images

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