Pessoas que atuam como seguranças no Catar são obrigados a trabalhos forçados, diz Anistia Internacional

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Um relatório divulgado nesta quinta-feira pela Anistia Internacional revela que pessoas que atuam como seguranças no Catar, sede da próxima Copa do Mundo, são obrigadas a trabalhar em condições extremas.

A ONG ouviu 34 funcionários ou ex-funcionários de oito empresas de segurança atuando no país no Oriente Médio. Eles relataram que são obrigados a trabalhar 12 horas por dia, sete dias por semana, sem direito a folga.

Todos são de outros países que não o Catar. Vários trabalham ou trabalharam em estrutura diretamente ligadas à Copa do Mundo, como estádios, hotéis e outras.

– Eles pensam que nós somos máquinas – disse um dos entrevistados, que tiveram suas identidades preservadas.

Alguns afirmaram que, após uma jornada de 12 horas, foram submetidos ainda a treinamentos de oito horas. A maioria disse que quem tentou tirar um dia de folga foi punido com deduções salariais arbitrárias.

– Os abusos que descobrimos podem ser atribuídos ao grande desequilíbrio de poder que ainda existe entre empregadores e trabalhadores migrantes no Catar – declarou Stephen Cockburn, chefe da área de Justiça Econômica e Social da Anistia Internacional.

O diretor da ONG reconhece que o Catar fez progresso nos últimos anos – como o país tentou vender da semana passada – mas afirma que os abusos no setor de segurança privada permanecem sistêmicos e estruturais.

Os trabalhadores relataram também punições sofridas por interromperem a jornada para irem ao banheiro. Outros afirmara que precisaram pagar do próprio bolso por remédios e tratamentos de saúde.

Na semana passada, durante o Congresso da Fifa em Doha, um vídeo foi exibido com depoimentos elogiosos ao pós por dirigentes de entidades como a Organização Mundial do Trabalho e a Confederação Sindical Internacional. A Anistia Internacional, porém, continua sendo crítica à maneira como os trabalhadores são tratados no Catar.

A Anistia Internacional não revelou o nome das oito empresas para proteger os trabalhadores de eventuais represálias como demissão ou deportação.

O relatório também registra o que autoridades do Catar e a própria Fifa responderam quando foram confrontadas com os fatos levantados pela Anistia Internacional.

O Ministério do Trabalho do Catar reconheceu que “casos individuais precisam ser tratados imediatamente”. Mas contestou que os problemas sejam “sistêmicos e estruturais”. A entidade disse ainda que “algumas empresas sempre vão tentar ignorar as regras”, independentemente de quais sejam.

A Fifa não respondeu a questões específicas da ONG, mas enviou um documento de quatro páginas no qual detalha seus programas para “respeitar os direitos humanos em todas as suas operações”.

Por conta das denúncias contra abusos a trabalhadores nas obras, a Copa do Mundo de 2022 deve ser realizada cercada de protestos de outras nações. Patrocinadores da seleção holandesa, por exemplo, afirmaram que não se farão presentes durante a jornada da equipe no Catar, com um banco, uma empresa de telecomunicações e uma rede de supermercados.

Fonte: GE

Foto: Getty Images

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