Seleção brasileira: é preciso jogar na Europa para ser convocado?

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É preciso jogar na Europa para ser convocado para a seleção brasileira? A pergunta não é nova, mas voltou a reverberar nas últimas semanas, após o técnico Tite anunciar os jogadores que vestirão a amarelinha nos amistosos contra Coreia do Sul e Japão.

Jogadores que vivem bons momentos no futebol nacional, como Raphael Veiga, do Palmeiras, e Hulk, do Atlético-MG, além de Gabigol, artilheiro de mais de 100 gols pelo Flamengo desde 2019, ficaram fora da lista do treinador, fato que motivou críticas e questionamentos quanto a um suposto favorecimento àqueles que atuam no exterior.

Tite nega que haja tal preferência e tem os números ao seu lado. Em quase seis anos no comando da Seleção, o técnico convocou 120 jogadores, sendo que 54 deles (45% do total) jogavam por clubes brasileiros – alguns deles também foram chamados quando defendiam clubes do exterior, como por exemplo Lucas Paquetá, Daniel Alves, entre outros.

Porém, ao destrinchar os dados, a superioridade dos “estrangeiros” fica evidente. Além de serem maioria, eles são mais aproveitados. Neste ciclo de Copa, quase metade dos jogadores de clubes brasileiros convocados nem sequer entrou em campo. Em relação aos atletas que atuam no exterior, esse percentual cai para apenas 18%.

Vale lembrar que a lista de convocados de clubes brasileiros é engordada pelos 23 chamados para o amistoso contra a Colômbia, em 2017, na qual Tite chamou apenas atletas que atuavam no futebol nacional. Na ocasião, era jogo para arrecadar fundos depois da tragédia do voo da Chapecoense.

Outra condição de convocados do Brasil que inflou a lista foi a alternativa usada por Tite depois da Copa de 2018: os terceiros goleiros. Hugo Souza, do Flamengo, Ivan, então na Ponte Preta, hoje no Corinthians, Phelipe Megiolaro, ex-Grêmio, e Gabriel Brazão, ex-Cruzeiro, foram os convocados nesta situação e só pegaram experiência.

Há fatores óbvios que justificam a prevalência de atletas do exterior na Seleção. Com maior poderio financeiro, clubes estrangeiros conseguem levar alguns dos principais talentos do Brasil – e é assim desde os anos 1990 (a primeira Copa na qual houve divisão entre “estrangeiros” e brasileiros foi a de 1994, quando 11 atuavam no Brasil e 11 fora).

Da Copa da Itália para a Rússia (1990-2018), foram 126 convocados na lista final da Copa que atuavam fora do país contra 55 que ainda estavam em atividade no Brasil.

Além desta disparidade econômica, nestas ligas – sobretudo as europeias – os jogadores são testados diante de adversários igualmente poderosos contra jogadores de seleções de todo o planeta, o que contribui para o desenvolvimento deles e eleva o parâmetro dos testes.

Mais rico e badalado da atualidade, o Campeonato Inglês tem sido o principal fornecedor de talentos para a equipe canarinho. Para os amistosos contra Coreia do Sul e Japão, 13 dos 27 jogadores à disposição de Tite disputam a Premier League. São eles: os goleiros Alisson e Ederson, os zagueiros Gabriel Magalhães e Thiago Silva; o lateral Alex Telles; os meio-campistas Bruno Guimarães, Fabinho, Fred e Philippe Coutinho; e os atacantes Gabriel Jesus, Gabriel Martinelli, Raphinha e Richarlison.

Mesmo assim, a comissão técnica de Tite segue de olho no futebol nacional e acompanha semanalmente os jogos dos clubes brasileiros, seja “in loco” ou pela televisão. Auxiliares do treinador também visitam treinos para colher informações e estreitar laços com os atletas.

– É muito difícil saber o nível e quantificar isso. Qual a exigência da Premier League contra o Francês, o Espanhol ou o Brasileiro? Nós temos que avaliar. Trouxemos o César (Sampaio, auxiliar) para estar em mais jogos, rever conceitos, ouvir opiniões. Não tem aquela história de convocar porque joga fora, não foi esse critério. Vale o nível que ele está, o nível dos gramados que ele enfrenta. Se pego um gramado ruim como vou avaliar o jogo? Tem muitas variáveis. A palavra final é minha, mas tem um grupo de pessoas que observam – disse Tite, em entrevista na semana passada, à rádio Jovem Pan.

Desde a eliminação para a Bélgica, nas quartas de final da última Copa do Mundo, Tite já convocou jogadores de 12 clubes brasileiros. O Flamengo, bicampeão brasileiro neste período, é quem lidera o ranking, com seis atletas chamados.

Na penúltima lista antes do Mundial do Catar, Tite incluiu quatro atletas que atuam no Brasil: o goleiro Weverton e o meio-campista Danilo, ambos do Palmeiras, o lateral-esquerdo Guilherme Arana, do Atlético-MG, e o zagueiro Léo Ortiz, do Bragantino – convocado depois da divulgação da lista.

O debate sobre a presença cada vez maior de jogadores que atuam no exterior na Seleção não é novo. Esse processo começou nos anos 1980, ganhou força na década de 1990 e se consolidou neste século.

O Brasil foi para as últimas quatro Copas do Mundo com menos de cinco jogadores que atuavam em território nacional, algo que muito provavelmente irá se repetir no Catar, no fim deste ano.

Caso o hexa seja conquistado, uma escrita será quebrada. Em nenhum dos cinco títulos mundiais conquistados até hoje a Seleção teve mais jogadores atuando fora do que dentro do território nacional.

Fonte: GE

Foto: GE

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