Temporada de pesadelos para os Lakers termina de forma melancólica em Phoenix

Publicidade

Um vexame do tamanho da história do Los Angeles Lakers se completou na noite desta terça-feira, quando a surpreendente vitória do San Antonio Spurs sobre o Denver Nuggets precedeu a prevista derrota do time californiano para o Phoenix Suns, da melhor campanha da NBA na temporada. Os resultados confirmaram o quadro que se desenhava nos últimos dias: os Lakers, de LeBron James, Anthony Davis e Russell Westbrook, não disputarão sequer o play-in da Conferência Oeste.

As sete derrotas seguidas – pior sequência da temporada – no momento decisivo deixaram ainda mais claros os fatores que levaram a um dos mais surpreendentes desfechos das últimas décadas. Da chegada de Westbrook aos erros de montagem do elenco. Das lesões de James e Davis aos problemas de adaptação da rotação e à incapacidade de fechar jogos, com pitadas de instabilidades emocionais que provocaram até atritos físicos em quadra, Los Angeles decolou no favoritismo e aterrissou no fracasso em menos de seis meses.

A campanha de 31 vitórias e 48 derrotas, com três jogos por cumprir, deixará manchas nos números da carreira de LeBron James, mesmo com o fantástico desempenho individual que manteve enquanto conseguiu estar em quadra. Ele ainda pode alcançar a façanha de ter a maior média de pontos na temporada aos 37 anos. Além das cestas, no entanto, precisa atuar em dois dos duelos restantes para completar 58 jogos e se tornar elegível ao reconhecimento. As dores no tornozelo esquerdo podem afastá-lo da conquista, como o afastaram de cinco das sete derrotas na reta final.

Time de veteranos

A troca de Russell Westbrook por Kyle Kuzma, Montrezl Harrell, Kentavious Caldwell-Pope e a escolha 22 no dia do draft de 2021, em 29 de julho, veio acompanhada de análises alvissareiras e índices otimistas nas casas de apostas. Analistas mais atentos, no entanto, destacaram a adaptação necessária (e nada automática) do consagrado armador ao estilo de jogo e liderança de LeBron James. Ambos gostam de jogar com a bola nas mãos e impor seu ritmo. James é melhor organizador e distribuidor, Russell aposta na individualidade para decidir e para dar o último passe.

Seria fundamental também a formação de um elenco capaz de dar suporte a eles e a Anthony Davis, e que esse grupo desse liga de presto. James, Davis e Talen Horton-Tucker eram os únicos remanescentes da última temporada dos Lakers. Com a adição de Westbrook e três salários nas alturas, não sobrou espaço no teto imposto pela NBA para a contratação de jogadores por mais do que o salário mínimo – ainda assim, Los Angeles tem a quarta maior folha da liga.

Foram dez, os que chegaram nestas condições. Oito tinham 31 anos ou mais: Carmelo Anthony, Dwight Howard, Trevor Ariza, Avery Bradley, Wayne Ellington, Kent Bazemore, Rajon Rondo e DeAndre Jordan. Os dois últimos sequer terminaram a temporada no time. Depois, chegou ainda DJ Augustin. Todos longe do ápice de suas carreiras. O vexame começou na pré-temporada, com seis derrotas em seis jogos. Já no quarto encontro da temporada regular, LeBron desfalcou o time pela primeira vez, com problemas físicos. Dos 16 duelos iniciais, ele só atuou em 6.

Estou extremamente desapontado. Pelos fãs, pela família Buss (os donos da franquia), que nos deram a oportunidade de sermos bem-sucedidos. Não alcançamos a meta. Não dá para dizer que não houve esforço. Vinhamos jogando pela nossa vida pelos últimos seis, sete jogos.
— Frank Vogel, técnico dos Lakers

Lesões dos astros

No total, LeBron James atuou em 56 dos 79 confrontos da temporada regular. Foram 25 vitórias e 31 derrotas com ele em quadra, um aproveitamento de 44,6%. Sem ele, 6-17 (26%). Anthony Davis jogou apenas 40 vezes, com 17-23 (42,5%). Sem ele, 14-25 (35,8%). Westbrook foi o mais assíduo. Só não atuou em um duelo, uma derrota contra os Blazers. Westbrook e Davis jogaram juntos 18 vezes sem LeBron, com 6-12 (33,3%). Os três estiveram em quadra ao mesmo tempo em apenas 21 oportunidades, com 11 vitórias e 10 derrotas.

A infelicidade dos problemas físicos e da falta de entrosamento explicam, em boa parte, a campanha frágil. As médias das três estrelas no ano não estiveram radicalmente distantes das médias de suas carreiras. Mas a incapacidade de o elenco compensar suas ausências foi latente, tanto no sistema defensivo quanto na versatilidade ofensiva, na criação de jogadas e na capacidade de oferecer perigo do perímetro.

Da mesma forma, ficou evidente a incapacidade do técnico Frank Vogel, campeão e ovacionado com os Lakers na bolha de 2020, de solucionar a questão Westbrook, especialmente nas noites em que o jogador justificou o apelido de Westbrick (de tijolo) – dado pela própria torcida californiana. Vogel chegou a retirar o astro de momentos decisivos de algumas partidas, mas jamais aceitou testá-lo, por exemplo, fora do time titular.

A maldição de Caruso

Se Russell Westbrook, natural da região de Los Angeles e que jogou no basquete universitário pela UCLA, não caiu nas graças do público, um queridinho dos torcedores acabou por fazer falta ao longo do ano. Alex Caruso foi preterido pela diretoria, não renovou contrato e terminou por assinar com o Chicago Bulls. Sua versatilidade e capacidade defensiva não tiveram substituto à altura.

Esse é o plano (jogar os três juntos e saudáveis de novo). Mas nada está prometido. Você precisa viver um dia de cada vez todos os dias. Como eu disse a temporada inteira, você joga com as cartas que tem. Sim, nós queremos ser capazes de ver como seria, como sairia no curso de uma temporada de 82 jogos, mas não temos certeza de que isso é garantido, tampouco. Então, só espero que sejamos capazes de fazer alguma coisa.
— Russell Westbrook

Outro ponto negativo na esquecível campanha de 2021-2022 foi a incapacidade de decidir jogos. Os Lakers tiveram 26 derrotas em duelos decididos no clutch time, ou seja, que entraram nos últimos cinco minutos com cinco pontos ou menos de diferença. O número só não é pior do que os 34 reveses do Indiana Pacers. As seguidas frustrações minaram a confiança de um time que se imaginava, de início, cumprindo tabela na temporada regular.

As consequências navegaram entre o descontrole emocional, cujo ápice foi um atrito físico entre Anthony Davis e Dwight Howard no banco de reservas, que precisou ser apartado pelos companheiros, e a total apatia em diversos jogos, com jogadas bizarras, pratos cheios para piadas nas redes sociais. Para a alegria dos rivais e a infelicidade do basquete, LeBron James, que chegou a jogar até de pivô em parte da campanha, estará fora dos playoffs pela quarta vez em 19 anos de carreira. As 48 derrotas são o pior número de um time de LeBron na história.

Fonte: GE

Foto: Christian Petersen/Getty Images

Marcado como

Opnião dos Leitores

Você não está autenticado, clique aqui. para acessar o sistema!.


Notícia FM

Ligou, virou Notícia!

Faixa Atual

Título

Artista

Ligou, virou Notícia!

Precisa de ajuda?