VAR chega à Série B: veja números do impacto em pênaltis, expulsões e gols na Série A até hoje

A partir desta sexta-feira, a Série B passa a contar com o árbitro de vídeo (VAR). A estreia coincide com o início do segundo turno da competição, liderada pelo Coritiba. Em um primeiro momento, é esperado um aumento na ocorrência de pênaltis marcados, assim como ocorreu na Série A.

Nesta terceira temporada sob o VAR, a Série A tem mostrado um recuo nesse número. O VAR analisa irregularidades em gols, como impedimentos, faltas cometidas na construção das jogadas e a ultrapassagem da bola além das linhas que delimitam o campo de jogo, auxilia na marcação de pênaltis e na revisão de lances que possam resultar na expulsão de campo de um atleta por cartão vermelho, além de ser usado na identificação, em caso de equívoco em punição.

No primeiro turno de 2021, houve mais vermelhos na Série B do que na Série A. Como o número de jogos é diferente devido a adiamentos na Primeira Divisão, usamos a média por jogo: houve 0,232 vermelho por partida na Série B e 0,210 na Série A. O número de pênaltis marcados está maior na Série A nesta temporada: houve 0,226 pênalti por jogo na Série B e 0,248 na Série A.

Para o presidente da comissão de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Leonardo Gaciba, a chegada do VAR à Série B é um “importante avanço do futebol brasileiro”.

– A inserção do árbitro de vídeo na Série B é mais uma prova do respeito da CBF com o futebol brasileiro, dando esse salto de qualidade para competição. Minimizar ao máximo erros capitais, levando mais justiça aos placares e, por consequência, ao campeonato será um grande avanço. Estamos com nosso melhor grupo imbuído nesta missão. Depois de mais de mil jogos com a utilização da ferramenta, podemos afirmar que o árbitro de vídeo dará uma tranquilidade ainda maior a clubes e oficiais de arbitragem para fazermos juntos um grande campeonato.

Utilizada na Copa do Mundo em 2018, na Rússia, a novidade foi integrada ao Campeonato Brasileiro no ano seguinte. Nessas duas temporadas e meia, os 917 jogos foram interrompidos 2.047 vezes a pedido do videoárbitro (2,23 por partida). Em 325 vezes, o árbitro foi ao monitor que fica ao lado do campo, alterando 266 vezes sua decisão inicial (82%). Nas outras 1.722 vezes, as decisões couberam apenas ao árbitro de vídeo, com 170 mudanças (10%).

O número de pênaltis vinha crescendo consistentemente na Série A desde 2013, quando o Espião Estatístico passou a coletar dados da competição, mas em 2018, último ano sem o VAR, houve uma repentina queda. Já sob o olhar do VAR, em 2019 o número de pênaltis voltou a crescer, para alcançar em 2020 a maior marca dos últimos nove anos. Após o recorde de pênaltis em tempos recentes no Brasileirão, neste ano todos estão aparentemente mais cuidadosos, e o número de pênaltis despencou para valores pré-VAR.

O número de cartões vermelhos para jogadores também varia consideravelmente ano a ano e apesar do maior rigor da arbitragem, o impacto sobre as expulsões foi baixo se consideradas as variações ano a ano. Não houve uma explosão no número de vermelhos mostrados, e de 2013 para cá a maior média de expulsões ocorreu em 2015, antes do VAR. Na verdade, após a ida dos árbitros à telinha, em 917 jogos apenas 59 vezes o árbitro mudou de ideia e decidiu mostrar o cartão vermelho. Dez vezes árbitros decidiram anular o vermelho que já tinham mostrado em campo.

Quando se decidiu pelo uso da tecnologia no futebol, um dos argumentos foi a busca pelo aumento no número de gols, mas a crescente organização defensiva dos times da elite nacional parece mais eficaz, e embora a média de gols venha crescendo, ainda está muito abaixo dos primeiros anos da disputa em pontos corridos.

Após análise do VAR, os árbitros anularam 115 gols mal validados de início e validaram 64 gols que tinham sido anulados. Apesar de o saldo ser de 51 gols a menos, também é de, grosso modo, 179 injustiças a menos, apenas em relação a gols.

– O maior ganho que o VAR trouxe foi a quase extinção de equívocos claros da arbitragem. Hoje, discutimos critérios, conceitos, tempo, protocolo etc… Antes, falávamos de erros! – diz Gaciba.

Fonte: GE


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